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Conheça a carreira de Guilherme Nucci no Direito Processual Penal

Conheça a carreira de Guilherme Nucci no Direito Processual Penal

 

Cultivar a disciplina para estudar e aperfeiçoar o conhecimento com leituras todos os dias. A dica aos concurseiros é do Desembargador da Seção Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, Guilherme Nucci, que costuma dizer que quem desiste fácil abre espaço para o concorrente.

 

Nucci é um exemplo de que a disciplina e determinação são essenciais para trilhar uma carreira de sucesso. Quando ingressou na faculdade de Direito, ele já sonhava ser juiz e se dedicou para chegar à magistratura. Ele não desgrudava dos livros nem quando estava pegando sol na praia.

 

Hoje, o desembargador é mestre e doutor em Direito Processual Penal pela PUC-SP. Também é professor concursado na mesma instituição, nos cursos de graduação e pós-graduação, além de integrar o time de docentes da LFG. O magistrado é ainda autor de 34 livros, sendo que os mais recentes tratam de temas como organização criminosa, corrupção e segurança pública.

 

Em entrevista ao Blog Acontece da LFG, Nucci deu mais detalhes sobre a sua trajetória profissional e estratégias de estudos para quem quer ser aprovado em concurso público, além de contar um pouco sobre a sua paixão pelo trabalho de professor e opinar sobre a situação atual do Brasil.

 

 

Seu plano era ser médico, mas essa ideia foi abandonada perto da época do vestibular para seguir a carreira no Direito. Por que optou pela área jurídica? 

 

Eu já tinha a influência de meu pai, que era advogado, bem como de outros familiares, também integrados na área jurídica.  Portanto, ao objetivar a medicina, era um desejo pessoal. Ao conversar longamente com meu pai, na hora da decisão, ponderamos os prós e os contras da medicina e das carreiras jurídicas.

 

Nessa ocasião, meu pai me lembrou que eu era o “coruja” da casa, ou seja, sempre adorei estudar e fazer meus trabalhos à noite. Como ser um médico notívago? Seria praticamente impossível.

 

A partir disso, decidi ser juiz de direito, uma profissão digna, que também iria exigir muito de mim, além de permitir fazer algo diretamente útil para outras pessoas. Julgar é uma atividade exigente, que demanda bastante estudo e o bom senso de ser sempre imparcial. Assumi esse desafio.

 

 

Por que escolheu o ramo do Direito Processual Penal para se especializar?

 

Na faculdade, eu gostava muito de processo civil. Entretanto, ao ingressar na magistratura, depois de ter sido Promotor de Justiça por um ano e quatro meses, passei a atuar em varas criminais com maior frequência. Quando fui designado para o Tribunal do Júri, onde permaneci por sete anos, na capital paulista, tomei gosto definitivo pela área criminal.

 

 

Quais as lições aprendidas durante sua jornada de concurseiro?

 

A melhor lição que aprendi é ter disciplina para conseguir qualquer coisa na vida. Sempre estudei com disciplina, havendo momentos para o lazer e o reservado espaço, todos os dias, para o estudo. Isso acontece comigo até hoje, senão seria impossível escrever minhas obras.

 

 

Como era seu plano de estudos?

 

Desde que entrei na faculdade, procurava estudar, fora das aulas, um pouco por dia. Nas férias, dedicava um tempo para o estudo. Quando me formei, ingressei num curso preparatório para concurso, enquanto trabalhava num escritório de advocacia (aliás, desde que estava no segundo ano já fazia estágio).

 

As aulas não eram suficientes, razão pela qual reservava pelo menos duas horas por dia para estudar. Aproximando-se de um concurso, aumentava o tempo de estudo e assim foi. Outro ponto interessante para um plano de estudos é destinar mais tempo para as disciplinas que menos gostamos. Afinal, a matéria que nos cativa é bem assimilada em sala de aula; podemos estudar menos.

 

 

Qual a fórmula de sucesso para ter uma carreira de magistrado bem-sucedida e 34 livros publicados?

 

Em primeiro lugar, é fundamental exercer uma profissão de modo vocacionado. Tudo fica mais simples, mesmo nos momentos difíceis. Em segundo, abraçando a área criminal, ao trabalhar em Vara Criminal, o gosto pelo estudo mais profundo veio naturalmente.

 

Assim sendo, comecei pelo lado acadêmico, que acho essencial, submetendo-me à avaliação de bancas compostas por professores e juristas mais experientes.

 

Não comecei a escrever livros jurídicos antes de ter a indispensável formação técnica. Alcancei meus títulos de mestre e doutor em Processo Penal. E, depois, o título de livre-docente em Direito Penal.

 

Os livros foram a consequência deste estudo aprofundado. Depois das duas primeiras teses, comecei a escrever o Código Penal comentado, propondo formato original para expor a matéria, caindo no gosto do leitor. As outras vieram a partir disso.

 

Por fim, acredito que o sucesso é muito relativo, talvez represente um momento ou outro. A realidade exige um trabalho árduo e permanente, sem o enfoque no sucesso, mas no objetivo a ser atingido. Cada obra é uma meta que, quando finalizada, proporciona uma sensação de dever cumprido.

 

 

De onde vem a inspiração para escrever tantos livros?

 

Os livros jurídicos não advêm de inspiração. São os resultados de estudos e leituras de obras jurídicas variadas. Conforme o aperfeiçoamento acadêmico, desenvolve-se e os temas mais intrigantes começam a surgir. A partir disso, cada tema instigante pode tornar-se um livro.

 

 

Qual a análise jurídica do momento atual do Brasil?

 

O Brasil passa por uma fase de aprendizado, como um estudante conhecendo uma matéria inédita no seu curso. No caso do nosso país, estamos aprendendo a desvendar e punir a corrupção como nunca se fez antes.

 

Nesse processo de descobrimento dos males que cercam a prática política, padecemos de crises variadas, dentre as quais a econômica.

 

Acredito que os três Poderes do Estado experimentam novas práticas, voltadas ao incentivo à ética e à honestidade acima de tudo. Porém, é preciso manter o equilíbrio e burilar o bom senso para que o aprendizado positivo de um lado não se transforme em mácula aos direitos humanos fundamentais de outro. Não se corrige um erro cometendo-se outro. Ao menos, essa fórmula não me parece ideal.

 

 

Qual o seu recado aos concurseiros que querem fazer carreira na magistratura?

 

Digo sempre aos meus alunos, e aos concurseiros em geral, que a melhor dica é buscar um modo de cultivar a disciplina para estudar e aperfeiçoar o conhecimento. Acho que o concurso público, no Brasil, é uma maneira democrática de acesso a cargos importantes em Poderes do Estado.

 

Como regra, quem estuda e conhece os temas do edital passa; quem não está preparado, não é aprovado. Trata-se, portanto, da utilização da meritocracia e não de um apadrinhamento injusto.

 

Outra dica é perseverar. Quem desiste fácil, abre espaço ao seu concorrente. Conheço casos de pessoas que prestaram cerca de dez vezes o mesmo concurso até ingressar na carreira almejada. Se desistisse, teria dado o seu lugar a outro. E não atingiria o seu sonho e o seu objetivo profissional.

 

 

Comente um pouco sobre o seu perfil como professor.

 

Eu gosto muito de lecionar. Essa é mais uma atividade que desenvolvo com muito prazer e, acredito, por vocação. Transmitir conhecimento é uma tarefa complexa. É preciso ter sensibilidade para perceber se quem o ouve realmente está captando a mensagem passada.

 

Acredito que o bom professor não pode falar para si mesmo, não deve contentar a si mesmo. Precisa, necessariamente, atingir seus alunos e na linguagem que eles esperam captar.

 

O professor precisa ser um autêntico “camaleão”, ou seja, para cada plateia precisa ter um discurso apropriado, para que seja compreendido e a sua mensagem possa ser transmitida.

 

 

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